Reflexão: “Furei a fila, antecipei o tempo.”

Recebi esta manhã um email de um amigo que me chocou por demais: O suicídio de outro amigo.
Neste email veio como anexo a carta do amigo que já há muito eu não via, o Sãozinho.
Transcrevo abaixo esta carta deste que por algum motivo não encontrou o Caminho e não andou Nele, nem a Verdade e não caminhou Nela, nem a Vida, para desfrutarmos o que há de melhor Nela.

Mas quero deixar o registro para reflexão de todos…
Meu sentimento é de total impotência…
Transcrevo:

“Não haverá amanhã.

Quando todas as portas se fecham, abre-se o injustificável.
Uma covardia para qual se necessita uma coragem imensurável.
É o fim… Meu fim.
Eu tentei…
Tentei muito…
E foi tentando que muitas vezes acertei,
E que provavelmente que eu também errei.
Vivi, sobrevivi, insisti…
Fiz de tudo um pouco, e do pouco muito.
Ainda assim este muito foi pouco.
Cansei…
Perdi a esperança… E sem ela não existe vida.
Desisti de mim, o que mais posso fazer.

Na equação da vida onde tudo é a somatória do “ser e do estar” eu me esqueci da plenitude do que é o viver.
Convivi com pessoas fantásticas.
Dentre toda minha companheira de jornada, meu tesouro, meu baluarte, meu amor.
Tive amigos que me surpreenderam nas horas incertas e amargas, amigos de ombros largos.
Como também tive amigos que não me surpreendeu, talvez por não tiver dados a eles uma chance.
No emaranhado da vida eu me perdi,
Perdendo todos os sonhos…
E sem sonhos não se vive.

Acabei desistindo de mim.
Desistindo de tudo.
Meus motivos aos olhos de outrem podem ser fúteis,
Porem pra mim era o meu tudo. E eu perdi este tudo.
Em algum lugar de minha existência, perdi a essência do que é viver.
Por isto não haverá amanhã pra mim.
Sem rancores, sem magoas
Apenas cansei de continuar vivendo este milagre que é a vida.
Porem para mim estava sendo muito difícil levá-la ou deixar ela me levar.
Viver nos últimos tempos era um tormento, uma tortura ver as horas passarem e eu passar com elas.
Quero estar leve
Morrer, de um jeito ou de outro, todos nós vamos um dia.
Apenas furei a fila.
Antecipei o tempo.”

ANDERSON DE VASCONCELOS DRUMMOND
Sãozinho. 05/02/1954
16/09/2010

 

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