Uma nova geração de cristãos!!!

Como os jovens brasileiros – que estão entre os mais religiosos do mundo – expressam sua fé em novos ritos, novas igrejas e até na internet

Paola Máximo

Há uma explicação para isso? “O jovem tem fé, mas não aceita o pacote pronto institucional”, diz a antropóloga Regina Novaes. Para seu estudo Os jovens sem religião, Regina levantou com o IBGE um dado revelador. Segundo ela, no Censo de 2000 houve 35 mil respostas diferentes para a pergunta “Qual é a sua religião?”. Em 2010, o número poderá ser ainda maior. “A religião, para o jovem brasileiro, é mais declarada do que vivida”, diz Regina. Seria essa uma forma de dizer que os jovens são religiosos apenas da boca para fora? Ou seria o caso de afirmar que as práticas religiosas, tal como se apresentam, não correspondem às necessidades deles? Um bom exemplo dessa ambiguidade é Rafael Lins, de 19 anos, o criador da comunidade “Mais Deus, menos religião”, que reúne 6.200 participantes na rede de relacionamentos Orkut. “Não vou a igreja nenhuma, porque não concordo com muitas coisas que são ditas lá”, afirma. Filho de pais evangélicos, Rafael não seguiu a crença deles. “Não preciso estar em algum lugar para ficar junto de Deus.” Uma coisa, porém, seu caso deixa clara: os jovens brasileiros parecem ter deixado de lado as fés mais populares no século passado – na revolução socialista, na libertação dos desejos ou na certeza científica – para acreditar naquilo que julgam ser seu verdadeiro Deus.

Fotos: Bruno Magalhães/Nitro/ÉPOCA e Jarbas Oliveira/ÉPOCA

É entre os evangélicos que surgem mais propostas de igrejas flexíveis. Eles têm igrejas para metaleiros, para garotas de programa e até para lutadores de jiu-jítsu. Em Fortaleza, a Igreja Evangélica Congregacional abriga um núcleo chamado “Lutadores de Cristo”. Cerca de 80 jovens rezam, assistem à pregação do pastor e depois sobem no tatame para trocar socos e pontapés. Por fim, dão as mãos e cantam juntos o louvor. “Pregamos o Evangelho para jovens que jamais entrariam numa igreja. Ninguém aqui se envolveu em briga na rua”, diz o coordenador do projeto, lutador e pastor Elder Pinto. “Aqui pregamos a paz.”

Em Minas, desde 1992 existe a Caverna de Adulão, que não usa o termo “evangélico” e se autodenomina uma “comunidade cristã alternativa”. Assim como a Bola de Neve, ela recebe metaleiros, jovens tatuados e com piercing na língua, além de promover shows de heavy metal. “Enquanto os pastores falam que rock pesado é do diabo, aqui mostramos que ele é de Deus”, diz o pastor Geraldo Luiz da Silva. “As igrejas aceitam esses jovens, mas têm a expectativa de que eles mudem e troquem a jaqueta de couro pela camisa social de manga comprida. Aqui, não é assim.”

 

 

 

 

 

 

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