Complexo do alemão: Pastor acusa policiais de roubo de dinheiro

Denúncias de que policiais estão saqueando casas de moradores durante as operações no Complexo do Alemão, em Ramos, e na Vila Cruzeiro, na Penha, levaram à criação de uma ouvidoria em caráter emergencial. O órgão será inaugurado nesta terça-feira, às 14h, no 16º BPM (Olaria). As autoridades são unânimes em afirmar que uma minoria de maus policiais não pode manchar o sucesso da operação de retomadas favelas. Equipes da Corregedoria Geral Unificada (CGU) já estão circulando na comunidade para investigar as queixas dos moradores. Cerca de 2.700 homens das polícias e das Forças Armadas participam da operação.

Antes mesmo do início da instalação da ouvidoria, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, e o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, se reuniram para discutir o assunto. Quando juntou a tropa no pátio do 16 BPM (Olaria), dando as últimas orientações para a tomada dos complexos na semana passada, Mário Sérgio ameaçou expulsar os policiais corruptos “em forma”, ou seja, apontando o culpado na frente dos colegas. Há 30 anos isso não ocorre na PM do Rio.

As denúncias serão discutidas durante a reunião de avaliação da Secretaria de Segurança, que deve ocorrer nos próximos dias. A ideia da ouvidoria surgiu depois que Mário Sérgio soube das denúncias de moradores sobre furtos e roubos de objetos pessoais nas favelas dos Complexos da Penha e de Ramos. Na Rua Joaquim de Queiroz, em Ramos, por exemplo, ele ouviu a reclamação de Carlos Lopes da Silva, de 53 anos, de que sumiram de sua casa, após uma revista da polícia, uma TV de 42 polegadas, R$ 200 e todos os seus documentos. Ele e outros dois moradores da Rua Canitar abordaram o comandante da PM ontem à noite, quando o coronel fez uma inspeção na Grota.

– Nós não viemos aqui para criar problemas para os senhores. Viemos aqui para ser a solução. Estamos aqui não por um tempo determinado. Agora é para sempre. Muitas forças atuaram nesta operação. A Polícia Militar, a Polícia Federal. Vamos identificar os autores – disse Mário Sérgio.

Nesta segunda-feira, em redes sociais como Twitter e Facebook, moradores também reclamavam de terem sido vítimas de furtos por policiais. O patrão de uma doméstica que mora no Alemão contou, numa rede social, que precisou ir ao morro porque a empregada, ao retornar para a sua casa depois da ocupação, encontrou o imóvel revirado e saqueado. Segundo ele, roubaram um videogame, um relógio e pequenas joias: “É triste saber que uma pessoa trabalhadora e pobre precisa da minha ajuda para entrar na sua própria casa. É triste saber também que a polícia continua a mesma”, escreveu ele.

Vítima registra queixana delegacia

O representante de vendas e pastor da Assembléia de Deus Ronai de Almeida Lima Braga Júnior, de 32 anos, foi até à 22ª DP (Penha) registrar o roubo de R$ 31 mil em dinheiro. Segundo vizinhos a soma teria sido roubada quando a casa em que o pastor mora, na Rua 16, foi invadida por um policial que usava farda preta, com o nome de Carlos e o tipo sanguíneo A positivo escritos no colete. A casa teria tido seu interior totalmente destruído.

Ronai somou o dinheiro que guardava com a quantia referente ao seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). À DP, Ronai levou três comprovantes nos valores de R$ 5.300, de R$ 10.520 e de R$ 4.729. Ele afirmou que recebeu a quantia há poucos dias e que não teve oportunidade de depositá-la. Imagens gravadas pelo repórter fotográfico Iano Andrade do jornal Correio Brasiliense, na manhã de segunda-feira, e veiculadas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, mostram a revolta do pastor. Ele elogia a operação dizendo que ela é necessária, mas culpa pelo roubo a quem classificou de maus policiais.

– Eu entendo que tudo isso tem que acontecer para que se tenha uma melhora. Mas eu sou contra, estou revoltado com esses maus elementos que usam a farda para prejudicar o cidadão brasileiro – disse, visivelmente emocionado.

A delegada titular da 22ª DP, Márcia Beck, disse nesta segunda-feira à tarde que não havia sido notificada de nenhuma apreensão em dinheiro e que iria investigar a denúncia.

É costume entre os policiais da banda podre ficar com os pertences de traficantes após as operações. É o que eles chamam de “espólio de guerra”. As imagens de duas TVs de LCD danificadas por tiros, além de outros eletrodomésticos destruídos na mansão do traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, no Complexo do Alemão, durante a operação, têm um motivo: o bandido não queria que seus móveis fossem saqueados por policiais.
Fonte: O Globo

Via: www.guiame.com.br

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Testemunhos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s