“Eles baixaram as armas e pediram oração” diz pastor do Morro do Alemão

A guerra para a retomada do Complexo do Alemão deixou um rastro de destruição nas ruas da comunidade. Em vielas e becos, há motos queimadas ou batidas jogadas nos chão, carros virados, postes destruídos, fios arrebentados. Parte da comunidade está sem luz e sem água desde domingo. A Comlurb, que já não recolhia lixo na favela desde sexta-feira, começou nesta segunda-feira a limpar as ruas, que acumulam montanhas de detritos. Era possível ver também operários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Rua Joaquim de Queiroz, que dá acesso à Favela da Grota. As obras foram interrompidas na quinta-feira, por causa dos tiroteios.
Em toda a comunidade, é grande a quantidade de casas abandonadas e reviradas, assim como também não são poucas as que estão à venda.

A música evangélica se espalha pela rua, enquanto a família do diácono Walcir Gonçalves põe a casa de Deus e a vida em ordem, depois de dias abrigada com parentes em Piabetá. O som desaparece de vez em quando, engolido pelo ruído dos rasantes do helicóptero da Polícia Civil, que continua vasculhando a região. Com 38 anos de vida e de Complexo do Alemão, o religioso viu e viveu muita coisa, desde décadas de abandono e violência, até a sensação de segurança ontem. Para ele, o mais difícil, em todos esses anos, era ver o risco que o tráfico representava para a infância e a juventude da região:

– São muitos pratos ofertados. A criança vê a droga, a fartura, e muitas vezes acaba envolvida. Perdemos muitos jovens para as drogas. Muitos conseguimos recuperar, mas o risco é sempre muito grande.

Segundo Walcir, cerca de três semanas antes da invasão, ele sonhou com derramamento de sangue. Assustado, pediu ajuda ao pastor Marcelo Reis e foi procurar os traficantes, para tentar salvá-los:

– Eu disse que eles precisavam se arrepender e deveriam se entregar, se não quisessem morrer. Eles baixaram as armas e pediram uma oração. Nós oramos para eles.

A mulher de Walcir, Ruth Cristina, de 18 anos, contou que, aconselhada pelas autoridades, a família foi para a casa de parentes em Piabetá, até que a operação terminasse. Agora, os moradores sonham com dias melhores:

– A gente espera que a vida melhore agora para o povo daqui – disse Ruth.

A irmã dela, Ester Cristina, agora sonha com uma profissão rara naquelas paragens: ela quer ser policial.

Sentada numa escadaria, observando a passagem da equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais, Joana de Oliveira, de 79 anos, comentou que há muitos anos não via uma paz como a que a comunidade está vivenciando neste momento:

– Só no tempo em que me mudei para cá, há 40 anos.

Fonte: O Globo

Via: www.guiame.com.br

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