“Chico Xavier”, mais um lembrete da nossa falha

O produto é da Globo Filmes, portanto não estranhe. Novelas, programas diversos, Globo Repórter, jornais, revistas, sites, emissoras de rádio, enfim, toda máquina de comunicação das organizações Globo promove o filme. Tudo certo, faríamos o mesmo para promover um produto nosso. Só não sei se faríamos com a mesma eficiência. A doutrina espírita é quase sempre apresentada de forma sutil, emocionante, inteligente. É uma postura que se encaixa perfeitamente no discurso da tolerância e do não preconceito. Eis o nó. Qualquer crítica que façamos faz chover protestos raivosos, reclamando que somos “preconceituosos e intolerantes”. Não somos, apenas temos opinião e compreensão diferentes.

Maurício Stycer, dia 03/04/10, em seu blog, postou uma crítica ao filme com o seguinte título: “Chico Xavier” subestima a inteligência do espectador. No texto, ele se limita a criticar o filme como uma peça de arte, e só. Mas a maioria de seus leitores não entendeu. Quando li o texto, 584 comentários já podiam ser visualizados, a maioria espinafrando o autor. Uma pena, pois a maioria das pessoas lê o que quer ler, e não o que está escrito. Sua crítica é direcionada apenas ao filme e seu diretor, Daniel Filho. Em nenhum momento ele critica Chico Xavier ou o espiritismo, coisa que agora, passo a fazer.

Alguns temas do cristianismo de fato aparecem na pregação espírita. Contudo, estas duas correntes de fé nada têm haver uma com a outra. Uma leitura mostrará que o livro normativo para os cristãos, a Bíblia, rejeita totalmente o espiritismo. O evangelho segundo Kardec ou qualquer outro, que não seja os quatro do Canon reconhecido pela igreja, Mateus, Marcos, Lucas e João, não têm qualquer peso para a fé cristã. Por princípio, respeitamos todos os livros de todas as confissões de fé, o alcorão, o livro dos mórmons etc. Mas este é o limite, respeito, apenas respeito. Não cremos nem aceitamos seus escritos como inspirados pela terceira pessoa da trindade, o Espírito Santo. Podem ter sido inspirados, não duvidamos, nem discutimos. O que afirmamos é que somente a Bíblia foi inspirada pelo Espírito Santo, e Ele não diria uma coisa na Bíblia e outra em outros livros.

Apenas um exemplo. Deuteronômio 18:10-12 claramente reprova adivinhações e consultas a mortos, no entanto, justamente aqui, cresce o interesse pelo espiritismo. A dor de separar-nos daqueles que amamos é insuportável quando a morte chega. Muitos não espíritas, na ansiedade de sufocar a inevitável saudade, recorrem a prática espírita para saber como está o ente querido que morreu. Segundo a Bíblia, tal prática é abominação ao Senhor.  E quanto a vida após a morte? Existe? Sim, cremos na vida após a morte, a vida eterna para os salvos em Cristo Jesus. Quem são os salvos? Não é facultado a homens saber. Não nos é possível dizer quem será e quem não será salvo. Apenas podemos receber com temor e tremor os textos que revelam a salvação em Jesus, dentre inúmeros, destaco três: “Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:12. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa.” Atos 16:31. “Se alguém me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para Ele e faremos n’Ele morada.” João 14:23.

Depois de muito pesquisar encontrei denúncias, acusações e esclarecimentos combatendo Chico Xavier e o espiritismo. Não fiquei satisfeito, continuei a minha pesquisa, quis conhecer a defesa. Todas as denúncias e acusações têm respostas, umas convincentes, outras nem tanto. Nos dois lados, no que ataca o espiritismo e no que defende, pude perceber o mesmo ponto fraco, faltam provas. Um não prova o que acusa e o outro não prova o que defende. Quando há provas, as respostas simplesmente eliminam qualquer discussão, pois afirmam que médiuns e espíritos desencarnados podem errar e se enganar, e isso não é nenhuma surpresa para os espíritas, só o é para os acusadores.

Como assim, podem se enganar? Na Bíblia, normalmente são os enganos que denunciam o falso profeta. Novamente devemos olhar o que diz Deuteronômio 18, agora no versículo 22: “Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele.” Por que errar e acertar é tão importante? Pelo simples fato de que Deus jamais erra. Se é o Espírito de Deus que está inspirando e revelando, o erro, automaticamente, inexiste.

Depois de tantas linhas, qual então é mais um lembrete da nossa falha? A caridade. Este é um dos princípios do cristianismo que deixa enormes falhas nas denominações. De que adianta ter a doutrina correta, a teologia saudável, a música espiritual, a pregação eloquente, a oração poderosa e falhar justamente na caridade? A caridade paga a salvação? Não. Obras de caridade nos aperfeiçoam em sucessivas encarnações? Não. Mas é possível anunciar e testemunhar uma fé viva sem as obras? Tiago afirma que não, ele diz que a fé sem as obras é morta.

A classe média evangélica brasileira está com a barriga cheia. Está empanturrada com belas mensagens, belas músicas, belos cultos, belos eventos. Sabe que se perder um evento neste final de semana, tem outro no próximo. Arrota mínimas falhas ao redor da mesa, o pastor errou na concordância verbal, o violão desafinou, o programa atrasou cinco minutos etc. É assim que, sem perceber ou admitir, nos tornamos cinicamente seletivos enquanto milhares morrem sem pão material e espiritual. É tudo tristemente irônico, estamos desprezando e esnobando filé, enquanto muitos imploram por migalhas.

Para que fique claro sobre a falha que estou falando, cito C.F. Andrews, missionário que militou na África do Sul. Um jovem chamado Mohandas, foi até ele para obter informações sobre a vida espiritual. Porém enquanto o missionário pregava, as pessoas que cuidavam da organização do encontro, não permitiram a aproximação do jovem por causa de sua pele morena. Logo depois, Mohandas Gandhi, isso mesmo, Gandhi, rejeitou o cristianismo e liderou 400 milhões de pessoas professando o hinduísmo. Stanley Jones emitiu uma triste conclusão sobre este episódio: “O racismo tem de responder por muitos pecados, mas talvez seu maior pecado tenha sido ocultar Cristo, no momento em que uma das maiores almas já nascidas de mulher tinha uma decisão a ser tomada.”

Gandhi chegou a afirmar que se visse nos cristãos os ensinos do Cristo que eles pregavam, seguiria o cristianismo. Não estaria na hora de fazermos mais e falarmos menos? Se os tambores batem, se os médiuns e pais-de-santo são incorporados, se os mortos seguem sendo consultados, se o filme é sucesso ou não, nada disse nos importa. O que importa para o cristianismo é que as trombetas tocam, o Espírito Santo habita no coração de todo aquele que confessa a Jesus como seu único Senhor e Salvador e a vida, não os incontáveis filmes sobre Jesus, a vida de Cristo é sucesso de público e crítica pelos séculos dos séculos. Reclamar menos e ajudar mais, essa simples mudança de postura ajudaria a diminuir drasticamente as falhas que nos atrapalham.

Paz!

Pr. Edmilson Mendes

 

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